sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Entrevista com Raphael Araújo.

A entrevista de hoje é com Raphael Araújo, nosso ótimo professor de violino, que nos deu respostas maravilhosas.



No que você acha que o aprendizado de um instrumento musical pode trazer de benefício para a vida de uma pessoa?

Acredito que o aprendizado possa trazer benefícios com relação à coordenação motora e relaxamento do corpo, como também no conhecimento da música, que pode proporcionar ao indivíduo um maior potencial de aprendizagem e desenvolvimento da sua atenção.


Pessoas que não tem conhecimento nenhum podem fazer?

Podem, desde que queiram aprender, e sejam humildes para passar por um processo estabelecido pelo professor.


Que estilo de música foca mais? Deixa o aluno escolher?

Muitos alunos meus escolhem naturalmente o que vão querer tocar depois. Mas o processo de aprendizagem que utilizo são mais métodos voltados para concertos, do qual parece ter uma abrangência maior de aprendizagem. Enquanto isso, também pesquiso outros estilos musicais com meus alunos, dependendo dos níveis deles.  


Qual seu método de ensino?

Minha metodologia visa primeiro ensinar ao aluno a ter postura com o violino e a relaxar com o instrumento. Depois me proporciono a ajudá-lo a ter coordenação motora com as duas mãos. Com a mão esquerda desenvolvendo o solo, e a direita a habilidade com o arco. A finalidade deste primeiro momento de aprendizagem é desenvolver uma rotina de estudo do qual se divida entre aquecimento - preliminares que estimulam o aluno a terem condições boas de estudo. E o estudo real da peça em questão, do qual o aluno aprende a desenvolver a sua musicalidade e dominar melhor a sua sonoridade. Em outras palavras, para esta segunda parte, o aluno aprende a pensar no que está fazendo.


Quem pode fazer essas aulas? Elas são voltadas para qualquer tipo de público?

Qualquer pessoa que corresponda às qualidades estabelecidas na segunda questão. Para as crianças, ajuda muito a participação dos pais nos seus estudos, e que também possibilita a presença delas neste aprendizado. 


Muita gente diz que não faz aulas culturais por causa da idade avançada. O que você acha disso e o que diria à essas pessoas?

Muita gente acha que não pode fazer muita coisa por causa da idade. O que vejo e acredito, por experiência própria, é questão de prioridade e organização no que vai fazer. Se a pessoa começar acreditando nisso, ela começa a plantar para colher boas coisas futuramente.

Tive um aluno de 70 anos, que já parou de tocar por causa de uma limitação de saúde e parou para se tratar, que fui seguindo esta metodologia com ele e em 8 meses já estava tocando um concerto e algumas músicas mais elaboradas. No entanto, a dedicação dele era notável, todos os dias estudava. Em um outro caso, já vi uma pessoa, com 63 anos de idade, aprender a tocar violino e tocar em casamentos em 2 anos de aprendizado.   

Não só para o idoso, mas o aprendizado da música depende também de onde o aluno pode chegar e se ele está disposto a se superar. Existe uma reflexão existencial acerca dele do qual também faz parte o professor orientar.   

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